îGuitarrista Marcio Sanches bate um papo com QueenBrazil.com

Marcio Sanches tem um trabalho instrumental onde mistura guitarra e música brasileira e paralelamente, vem se dedicando à uma linha mais rock´n´roll intitulada temporariamente de “HOPE”. Devido a uma de suas demos, Márcio foi destaque do mês da revista Guitar Player. vale lembrar que Marcio foi em 1991 um dos fundadores do Queen cover, um  grupo cover tributo ao Queen com o apoio da gravadora EMI. Com este grupo toca pelo interior de São Paulo e Capital.Nessa entrevista Marcio Sanches nos conta um pouco sobre seu trabalho no Queen Cover, seus planos de carreira solo, sobre amigos, Brian May, sobre dom, vale a pena conferir!

 


QueenBrazil.com - Como surgiu seu interesse pela música, e o que te fez 
amar o som da guitarra? 

Marcio Sanches -
A vontade de ouvir de novo certas musicas despertou um interesse maluco dentro da minha cabeça, enquanto eu não ouvia de novo a musica que eu gostei eu ficava com um sentimento de saudade.
A guitarra veio quando eu descobri que aquele som que me arrepiava e me emocionava ao mesmo tempo era o som de uma guitarra, e o Brian é o motivo.

QB - Você já viajou por muitos estilos ?

MS - O Queen me ensinou a deixar os ouvidos abertos, ouço e toco muitos estilos, tenho uma escola de guitarra, mas ouço muito rock, e ao mesmo tempo consigo ouvir Bjork que eu adoro e Sepultura que tem uma energia incrível.
Sou apaixonado pelo som da guitarra e gosto muito do Eddie Van Halen, Yngwie Malmsteen principalmente o primeiro disco, entre outros. Por outro lado sempre gostei muito de musica clássica, como Beethoven.

QB - Como foi o começo de sua carreira? 

MS - Quando consegui minha primeira guitarra em 1983, já sonhava em ter um grupo e compor músicas.
Comecei a me dedicar a Guitarra e estudo muito até hoje e componho muito também.

QB - Você disse acima que curte muitos estilos diferentes e aprendeu a ter ouvido aberto ouvindo Queen, como você tomou conhecimento da existência do grupo?

MS - Conheci o Queen em 1977, eu desenhava muito naquela época e fui até uma loja de discos. 
Lembro de ver um compacto e gostei muito do desenho, veja que loucura é o meu primeiro disco que comprei na vida e é o compacto do News Of The World. 
Aconteceu também que eu estava na casa de um vizinho e ele me deu de presente uma fita, na época do A Day At The Races eu a ouvia todo dia. E acredite depois de um tempo outro vizinho já sabia que eu gostava de Queen e me deu os discos que ele não ouvia mais ai eu pirei de vez, ele me deu o Queen II (que é o meu preferido, e o Brian May fez até uma brincadeira comigo e com meu Pai por causa da musica Father To Son, enquanto meu Queen II estava sendo autografado eu disse a ele 
que era o meu álbum predileto e ele olhou para mim e disse que para ele também )
, o A Night At The Opera, o Sheer Heart Attack e o News Of The World.
A melhor surpresa  de todas aconteceu atualmente, quando ganhei da EMI odeon, aquela coleção de cds em forma de vinil, e o que é mais legal de tudo isso é que eu gosto cada vez mais do Queen e eles sempre vão ser os meus melhores amigos.

QB - Você é formado em Música pela Universidade São Judas Tadeu, o curso ajudou você em seus projetos? Ou você é da mesma opinião que eu, isso é um dom natural, não há faculdade que consiga talento algum para alguém a não ser que ele já nasça com a pessoa?

MS - Eu acredito muito nesta opinião de ter um dom, isto porque quando comecei a tocar eu não sabia nada, nem uma nota, então como eu não conseguia tocar as músicas que eu ouvia eu comecei a compor minhas próprias idéias de música.
Com o passar do tempo decidi aprender a tocar violão, meu pai tentou aprender, fez dois anos e sabia ler o Bona (método de aprendizado) mas não tocava nada, então comprei o curso Toque na época e fui autodidata, mas eu queria mesmo era solar e para isso eu precisava de uma guitarra e também fazer aulas de guitarra, e foi o que fiz comprei uma Giannini (a qual uso até hoje, às 
vezes levo ela nos shows e toco uma musica)
, fiz também um ano de aula com o Michel Perrie que era guitarrista do Jaguar, um cara gente fina que deu aula para muita gente, ele merece mais espaço.
Incentivado por amigos comecei a dar aulas de guitarra de graça, para ver se eu era um bom professor, depois passei a cobrar e até hoje trabalho muito com isso, graças a Deus, mas o meu preço ainda é muito baixo, respeito muito qualquer um, aqui na escola entra de Andreas Kisser a Felipe Fernandes e todos são tratados da mesma maneira.
Depois fiz faculdade e continuo estudando até hoje, mas o principal motivo na minha mente é compor minhas musicas e que elas sejam amigas de quem as ouvir.

QB - Qual foi o ímpeto para formar o Queen Cover ?

MS - A faísca inicial para mim foi com uma banda que eu tocava e onde eu só queria tocar Queen, tocávamos Tie Your Mother Down e um pedaço de Somebody To Love.
Em um dos ensaios desta banda enquanto nos tocávamos a Tie Your Mother Down, a sala em que estávamos foi literalmente invadida pelo Eddie Star e o Cleman e eles comentaram depois que adoravam Queen.
Depois de algum tempo eu estava andando na 24 de maio, e um amigo meu viu um cartaz no museu do disco que dizia: “Procuram-se músicos para montar um Queen Cover”, ele anotou e me deu o número. Quando liguei para o número, para minha surpresa quem atendeu foi Eddie Star, o mesmo que invadiu minha sala de ensaios.
Marcamos um vasto repertorio e eles vieram me testar em casa, fiquei até sem dormir preocupado em agradá-los.


QB - É difícil fazer cover do Queen ? (já que a maioria dos fãs admiram muito, tanto o som particular da guitarra do Brian quanto a voz de Freddie) isso não gerou uma certa cobrança por parte dos músicos envolvidos nesse projeto?

MS - Com certeza, mas já no primeiro ensaio era claro para nós que queríamos tentar tocar como o Queen mesmo toca, quando é ao vivo. Eu acho demais quando eles tocam musicas como “White Queen” ao vivo, ela ganha outra vida.
A guitarra ajuda muito, mas o mais importante é manter o feeling que o Brian sempre me passa, e improvisar como ele improvisa, por isso que eu amo o Queen, em shows, eles juntam o que podem fazer só os quatro mais o feeling.

QB - Você possui uma réplica da Red Special como adquiriu?

MS - Em 1994, fiquei sabendo da guitarra através de um aluno que viu um anuncio em uma revista “Guitar Player” americana.
Comecei a cotar preços e ligar em lojas no Estados Unidos.
Eu fiz os contatos por telefone e a mãe de um amigo meu que morava na época nos Estados Unidos, comprou para mim.
Foi um ano de muita espera, mas graças a Deus deu tudo certo, gastei muito dinheiro, mas foi muito bem gasto.

QB - Você diz acima que você e seu pai conheceram Brian, conte-nos um pouco sobre como foi.

MS - O Brian veio tocar no Rio, como eu tinha contato com o pessoal da EMI no Rio, fiz de tudo para tentar um contato com Brian.
E foi o que aconteceu, fomos para o Rio, eu, meu Pai o Fredie que era o produtor do Queen Cover na época e o Marcus, um amigo.
O Fredie tentou colocar o Queen Cover para abrir o show do Brian, mas como foi em uma segunda-feira, ficou complicado para o resto da banda ir, realmente uma pena, lembro do produtor do show no Rio falando que seria bem legal uma banda cover abrir o show do Brian, mas tudo bem.
Encontramos com o Brian três vezes, a primeira foi dentro do hotel Copacabana palace, conseguimos entrar e ele nos atendeu numa boa, o cara é hiper gente fina, conversamos um pouco no hall do hotel, ele viu tudo que eu levei para ele e autografou meus cd's, o lance do meu Pai foi que quando o Brian subia as escadas para a coletiva de imprensa meu Pai apontou para mim e disse para o Brian, "is my brother" e o Brian virou para meu pai e disse "no your brother, is your son, Father to son". Cara foi demais ele brincou com a gente e me pareceu que ele gostou muito do meu Pai.
A segunda, foi no hotel de novo mais tarde, eu tinha dado para ele uma fita K7, com um solo de guitarra que eu fiz para ele. Acredite quando ele me viu ele elogiou o solo e falou que eu tocava bem, sem palavras, eu tremia muito.
A terceira, foi no fim do show no backstage, fizemos muitas fotos e ele me deu de presente a moeda que ele tocou na última musica do show.
Realmente foi muito legal.
E depois de dois anos chegou uma carta dele para mim, aonde ele agradece um monte de coisas e fala que guardou as coisas que eu dei para ele na sua coleção pessoal.

QB - O que foi o projeto "Brazil Rock Stars" no qual você foi um dos convidados ?

MS - Foi criado pelo Andreas Kisser (Sepultura), para ele convidar quem ele 
quisesse para tocar covers de bandas que ele adora.

QB - Qual a sua relação com Andreas Kisser e com o Sepultura, e como surgiu?

MS - Eu sempre cruzei com o Andreas aqui no Tatuapé ele não mora muito longe de onde eu moro.
Mas tudo aconteceu depois de um aluno meu, que é muito amigo dele, trazer ele de surpresa na aula de guitarra e ele comentou que já ouvia falar de mim fazia algum tempo.
É difícil explicar o que aconteceu mas ele de uma certa forma virou meu melhor amigo, e o cara é gente fina demais, se um dia você puder conhecê-lo você verá que ele é nota dez.
Fui convidado por ele depois de um tempo para tocar no “Brazil Rock Stars”, toquei e logo depois ele me chamou para trabalhar com ele.
Ele também me chamou para trabalhar em alguns shows do Sepultura, como o do VMB da MTV, ele confia muito em mim e no meu trabalho, tudo isso é muito bom e é como eu falo para ele, é por causa dele que eu voltei a sonhar com musica de novo, tomei tanta porrada esse ano que não foi fácil dar a volta por cima, ele é o responsável por minha volta.
Veja a minha situação, eu estava em uma fila de banco para pagar uma conta, estava passando por muitos problemas pessoais de banda, de repente toca meu celular, era o Andreas me convidando para tocar com ele, ele ligou no dia mais certo possível, eu estava a ponto de largar tudo e ele me colocou de volta.

QB - Você tem um trabalho solo em que mistura música brasileira com guitarra, seus projetos futuros com a música são quais? 

MS - Estou terminando um cd instrumental só de guitarra aonde faço essa mistura.
Tenho mais de 400 idéias de musica e estou começando a ensaiar de novo, no Queen's Day 2004 vou tocar algumas.
Me parece que o pessoal da rádio Brasil 2000, vai tocar a minha primeira musica de trabalho "Real Miracle ".


QB - O que os fãs de Queen e de Brian May podem esperar de 
seu novo trabalho solo como guitarrista? Quando será o 
lançamento?

MS - Estou retomando o meu pique como antes, creio que vai ser 
mais para março de 2005 .
E podem esperar um som feito com muita vontade e verdade, não quero compor musicas que não são verdadeiras, vou deixar 
alguns nomes de canções minhas: Real Miracle, False Man, Don´t Go, If You Need A Dream, This Is The Man, Carnaval, Up/Down, Muitas Palavras = Mentira, e mais .

QB - Quem quiser te ver ao vivo ou acompanhar seu trabalho, como devem fazer?

MS - Estou criando um site aonde vai ter tudo , enquanto o site não fica pronto podem usar o 
e-mail : ms.marcio@uol.com.br

Fonte: Entrevista realizada por QueenBrazil.com nos meses de Outubro e Novembro de 2004.


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