Talvez
as palavras expressas aqui possam representar, de maneira mais específica, os
sentimentos que foram formados pelos fãs do Queen, quando tudo aconteceu de 2004
para 2005. Com certeza, todas as expectativas foram levantadas em relação à
banda, no tocante à sua capacidade, à sua nova formação, à sua reestruturação e
algumas coisas a mais.
Muito foi dito e escrito por muitas pessoas sobre o desempenho de palco de Paul
Rodgers, onde surgiram alusões fantasiosas, para não chamar de ridículas, de que
o vocalista em questão seria o novo dono da imagem do Queen. Pois bem, balelas!
Isso é o que posso dizer. Quando alguém não sabe somar, acaba por dizer balelas
insípidas.
Contudo, se vocês repararam bem em todas as notícias sobre o Queen, poucas, ou
quase nenhuma delas, falavam sobre o desempenho positivo dos dois novos
integrantes que a banda acolheu, não por acaso, de forma bastante precisa. Isso
sem contar com o ‘elemento surpresa’ que acompanha esta banda há muito tempo.
Você se pergunta: será que ele deve está falando daqueles caras que ficam à
esquerda do palco, fazendo base para o Brian, Roger e o Paul? Sim, meus
queridos. São eles. Os ‘não citados’.
Com certeza, a maior dúvida que você teve, quando comprou o CD /DVD do show em
Sheffield, foi sobre quem estava ocupando o lugar do sagrado John Deacon, no
baixo. Aposto que sua recepção não foi das melhores! Aposto ainda que você, em
algum momento, perguntou-se: de onde surgiu esse cara? E vou além, você não o
aprovou por questões xenofóbicas, ou seja, naturais. Atenção, eu estou falando
do baixista ainda!
Talvez você não tenha se surpreendido em ver um cara já com seus cabelos brancos
tocando piano e teclado. Você se lembra do Spike Edney, em Wembley ’86? Então,
ele continua sendo o mesmo de sempre, porém, diferente.
Agora, aquele carinha que fica do lado do baixista, fazendo base para o Brian
May, às vezes, acompanhando o mesmo Brian com as mesmas notas e, num momento
solene, faz um rápido solo em ‘Hammer to Fall’. Quem é ele? E eu me esqueci de
dizer quem é o baixista, desculpe (!), tudo será solucionado.
Para começo de conversa. O baixista, ao qual muitos tiveram que fazer análise
para aceitá-lo no lugar do John, é nada mais nada menos que Danny Miranda. Se
você não sabe, o Danny fez parte do musical ‘We Will Rock You’, por isso, ele
jamais seria escolhido à revelia. Além de tudo isso, ele surgiu como ponto
diferencial em Long Island, nos anos 80, sendo considerado um baixista de blues
que toca qualquer coisa com facilidade. Assim fica explicada a razão do tom de
blues que o Queen desenvolve em algumas partes do show.
Um dado interessante sobre como aconteceu a sua entrada no Queen. Conta-se uma
pequena história de que, em janeiro de 2005,
Danny
recebeu uma ligação do Brian May, onde o astrônomo lhe perguntou: ‘Você estaria
interessado em se juntar a nós na turnê que iremos fazer pela Inglaterra,
acompanhado do Paul Rodgers?’. Tropeções a parte, beliscões a parte, para ver se
ele realmente estava vivo para responder a tal pergunta, Danny aceitou – lógico!
Outro dado, psicológico. Quando estamos acostumados com algo que vemos
frequentemente, demoramos a nos adaptar quando esse algo é substituído. Veja-se
o exemplo: estávamos acostumados com o Freddie, agora, temos o Paul em seu
lugar. Outro exemplo, estávamos acostumados com o John Deacon no baixo, agora,
temos o Danny Miranda. Detalhe: quando vemos algo novo, no lugar do antigo,
temos a costumeira necessidade, para não dizer freqüência, de agregar a imagem
do segundo com o primeiro, pois assim, conseguimos aceitar melhor a mudança.
Entretanto, temos um integrante a mais que toca guitarra e violão na banda. Este
senhor, se você não sabe, aprendeu a tocar guitarra sozinho, sem ter que ficar
lendo revistinha de músicas cifradas! O nome dele é Jamie Moses. Aos 13 anos,
após ter se instruído com o novo instrumento, já tocava Hendrix, Beatles, James
Brown e etc.
Em 1993-94, Jamie participou da gravação do LIVE AT BRIXTON ACADEMY, CD/DVD do
Brian May. Sua função era a mesma exercida atualmente: guitarra-base. Além
disso, participou da banda fundada por Spike Edney, a Spike’s All Star, ou SAS
Band. Em 2001, foi uma das atrações do Queen Convention. Em 2002, fez parte da
turnê mundial/Européia do cantor e compositor Bob Geldof, além de acompanhar
também o cantor Paul Young. Neste mesmo ano, quando o Queen recebeu o prêmio do
Hall Of Fame, de Hollywood, Jamie participou dos shows realizados por Brian e
Roger, em comemoração ao recebimento do prêmio. Em 2004, Jamie participou do
show que o Queen+PR fez na TV Inglesa, primórdios da atual parceria.
Como bem se vê, o rapaz teve a sorte de se juntar a pessoas certas, nos momentos
certos.
Com relação ao Spike “The Duck” Edney, eu poderia dizer uma centena de coisas e
ainda iriam faltar muitas outras para dizer. Contudo, restrinjo-me a apenas o
seguinte: após ter sido convidado por Freddie para fazer parte da turnê de 1984
(Crazy Tour), Spike se tornou o ‘quinto integrante’ da banda que você conhece e
adora. Nas turnês de 1985, contando com o Rock in Rio, e 1986, a última turnê do
Queen, Spike apareceu com toda a sua habilidade tanto no piano quanto na
guitarra, tocando, por exemplo, ‘Hammer To Fall’.
Spike participa ainda da gravação dos vídeos ‘Rock in Rio’, ‘Live at Wembley’ e
‘Live in Budapest’. Três shows imperdíveis!
Após a parada do Queen, Spike se juntou a Roger Taylor em sua banda ‘The Cross’.
No segundo álbum desta banda, Spike Edney apresentou sua música ‘Closer To You’.
Em 1992, Sipke foi uma das atrações, apresentadas por Brian May, no concerto em
tributo a Freddie Mercury.
Uma ressalva: após a entrada de Spike Edney no Queen, todos dos álbuns
produzidos desde então tiveram sua charmosa participação. Quem não se espanta
quando ouve ‘One Vision’!
De fato, os três integrantes apresentados aqui, têm um papel secundário na
banda, pois, eles aparecem em momentos ‘estratégicos’. Nem por isso, eles
merecem desdém, pois, se eles estão lá, eles o fizeram por merecer e cabe a nós,
fãs, admiradores e críticos, o devido respeito a esses homens que apenas querem
levar aos apreciadores da boa música um entretenimento que entretém aqueles que
os ouve. É isso. Aguardem novidades!
Aos fãs, divertimento.
Aos iniciantes, muitas descobertas.
Aos demais, um forte abraço.
Texto: Odilon Correa