Um show de Rock inteligente
A explosão ensurdecedora faz trepidar o cenário. A luz eclóde e as quatrocentas lâmpadas são levantadas formando um gigantesco e uniforme teto luminoso que oferece uma surpreendente visão, alucinante entre a fumaça em movimento. E somente depois que a fumaça começa a dissipar-se e os espectadores se refazem da surpresa inicial é que surge - límpida e majestosa - a música. Esta é a abertura de "Um entardecer com o Queen", o show que o conjunto elaborou para sua turnê internacional, quando apresentou o Album "jazz".
Desde o primeiro tema, uma versão seca e linear do já famoso "We will rock you", Brian May r Freddie Mercury concentram a visão dinâmica e a maior parte do espectro sonoro do espetáculo do Queen.
Brian May, o que consagra seus solos ao público como em um ritual utilizando um prolongamento do cenário, comfirma ao vivo a sua extraordinaria técnica de arranjador e orquestrador já desmonstrada em discos. Seus complicados solos em "Killer queen" e "Bohemian Rhapsody" são de uma espantosa precisão. Também as suas intervenções orquestrais ressoam como nas gravações, pela muito engenhosa utilização do Echoplex.
Mais descontráido que em apresentações anteriores, Freddie Mercury imprime energia e vitalidade aos seus diversos desempenhos em cena: cantor autosuficiente, bailarino, comediante e pianista eventual. Durante as duas horas do espetaculo, Mercury utiliza toda uma gama de inflexões e seus recursos vocais sugerem desde um gracioso arlequim até um teddy boy afundado em couro e metal.
Sua versatilidade permite-lhe transformar-se em um Paul McCartney ( "Love of my life", "My melancholy blues") ou em um furioso Chuck Berry ("sheer heart attack"). Sentado ao piano, ele executa partes simples e evocadoras, que demonstram uma maior paixão estilistica que uma depuração técnica.
É preciso ver o Queen em cena para comprovar que todas as harmonizações vocais que deslumbraram o ouvinte dos seus discos, provêm do modesto Roger taylor, apenas visivel atrás de uma dúzia de tambores gigantescos e seus poderoso gongo. Para o público, Taylor é um dos bateristas de rock com mais alma; para os tecnicos, é um dos poucos instrumentistas que afinam com precisão ao vivo.
Com a mesma ironia fria de John Entwistle (Who) e a placidez de Bill Wyman (stones), John Deacon, sério e concentrado, apenas se desloca sobre o cenário sem emocionar-se com os sons que surgem do seu baixo. Os quatro integrantes da banda chegam à plenitude das suas possibilidades em "Bohemian Rhapsody", essa extraordinária combinação de artifícios instrumentais e talento vocal que converteu esse tema em uma das mais brilhantes provas do alto nivel que pode alcançar a música popular.
Na parte intermédiaria de "Rhapsody", quando surgem os coros operisticos, o grupo desaparece de cena deixando uma fita gravada, enquanto o cenário volta a ser preenchidos com as trevas enfumaçadas e os raios de luz.
Quando o tema, em sua parte final, volta ao rock, Queen também retorna: mais efeitos de luzes e explosões, e então os ultimos tema do show. "tie your mother down" e "We will rock you" em sua versão original encadeados com " We are the champions". O público levant-se e canta com o Queen. UM grand finale para um "show de rock inteligente", como diz May.
Antes que o grupo saia de cena, começa o velho rito com que o público norte-americano, antes mesmo do Woodstock, manifesta a sua aprovação a um bom espetáculo: são acesos milhares de fósforo, velas, lanternas (e agora também espadas luminosas tipo "guerra das Galáxias"), enquanto os espectadores vão se desconcentrando ordenadamente.
Fonte:
REVISTA FLASHROCK/2 "ESPETACULAR"
POSTER QUEEN Editora Bangor Ltda. Ano:
1979
ICQ 161318305